História

A criação da Universidade Federal Fluminense

A idéia da criação de uma Universidade para o Estado do Rio de Janeiro partiu da Associação Fluminense de Professores Católicos, em 1946. A Universidade Federal Fluminense – UFF – foi criada pela Lei nº 3.848, de 18 de dezembro de 1960, com o nome de Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UFERJ. A ela incorporaram-se as cinco faculdades federais já existentes em Niterói – Faculdade de Direito de Niterói, Faculdade Fluminense de Medicina, Faculdade de Farmácia e Odontologia, Escola de Odontologia e Escola Fluminense de Medicina Veterinária – e agregaram-se estabelecimentos de ensino estaduais – Escola de Enfermagem do Estado do Rio de Janeiro, Escola Fluminense de Engenharia e Escola de Serviço Social do Estado do Rio de Janeiro – e particulares – Faculdade Fluminense de Filosofia e Faculdade de Ciências Econômicas de Niterói.

Em 13 de dezembro de 1961, pela Lei nº 3.958, os estabelecimentos a ela agregados foram-lhe incorporados e, assim, federalizados. Em 1964, o Hospital Municipal Antônio Pedro, hoje Hospital Universitário Antônio Pedro, foi incorporado à Universidade visando ao ensino e à pesquisa nas áreas de saúde e assistencial.

Com a Lei nº 4.831, de 5 de novembro de 1965, a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro passou a denominar-se Universidade Federal Fluminense. A UFF é uma entidade federal autárquica de regime especial, com autonomia didático-científica, administrativa, disciplinar, econômica e financeira, exercida na forma de seu Estatuto e da legislação pertinente.

Hoje, a universidade tem 21.682 alunos matriculados (incluindo os que entrarão no segundo semestre letivo deste ano), 2.642 professores e 4.718 funcionários – no Hospital Universitário Antônio Pedro estão lotados 1.940 servidores. Com um total de 79 departamentos de ensino, são oferecidos neste vestibular 51 cursos de graduação. Na pós-graduação, a UFF tem 131 cursos.

Campus do Valonguinho

Campus do Valonguinho é um dos campi universitário da Universidade Federal Fluminense (UFF), localizado no Centro, em Niterói.

O Campus do Valonguinho foi constituído para sucessiva incorporação de áreas nas cercanias de prédios das primeiras faculdades da UFF. A área inicial era onde ficava o Hospital São João Batista, hospital municipal e primeira área de prática médica da Faculdade de Medicina da UFF e o primeiro prédio dessa faculdade, o atual Instituto Anatômico da UFF.

Com o tempo depois as ruas internas foram sendo fechadas e o campus foi consolidado, ainda mais, à medida que, a área é um morro (o Outeiro São João Batista, mas conhecido como Valonguinho) e seu sopé.

A década de 50: Implantação da Licenciatura

A história do curso de Matemática inicia-se em 1949 na então Faculdade Fluminense de Filosofia, com a implantação do Curso de Licenciatura.

Até 1952, o seu modelo de currículo seguia o da Faculdade Nacional de Filosofia, sendo estruturado da seguinte maneira: três anos de formação em conteúdos matemáticos e mais um ano em conteúdos educacionais.

Em 1958, o professor Jorge Emmanuel Ferreira Barbosa passou a integrar o corpo docente do Curso de Matemática. Interessado e conhecedor em Lógica Matemática, nos Fundamentos de Matemática e em Análise Matemática, vieram influenciar significativamente os rumos do curso nas três décadas seguintes.

A década de 60: Influências da Matemática Moderna

A Universidade Federal Fluminense – UFF – foi criada pela Lei nº 3.848, de 18 de dezembro de 1960, com o nome de Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UFERJ. A ela incorporaram-se as cinco faculdades federais já existentes em Niterói – Faculdade de Direito de Niterói, Faculdade Fluminense de Medicina, Faculdade de Farmácia e Odontologia, Escola de Odontologia e Escola Fluminense de Medicina Veterinária – além das escolas de ensino estaduais – Escola de Enfermagem do Estado do Rio de Janeiro, Escola Fluminense de Engenharia e Escola de Serviço Social do Estado do Rio de Janeiro – bem como as instituições particulares – Faculdade Fluminense de Filosofia e Faculdade de Ciências Econômicas de Niterói.

Esse período foi marcado por profundas mudanças política, econômica e social. Nosso país passava por intenso desenvolvimento e em processo de industrialização, desde 1960. Em 61, foi aprovada a Lei de Diretrizes e Bases da Educação que mudou os objetivos educacionais do país.

Na Matemática não foi diferente. Influenciado por um movimento internacional que pretendia a reformulação do ensino matemático nas escolas, no Brasil, este movimento ficou conhecido como Matemática Moderna. Ela nasceu como um movimento educacional preocupado com os métodos de ensinos, considerados ultrapassados, que deveriam ser renovados, com atenção especial para a Didática da Matemática e intensificando a pesquisa nessa área. Baseou-se na formalidade e no rigor dos fundamentos da teoria dos conjuntos e da álgebra. No curso de Matemática da UFF, a Moderna Matemática logo influenciou a estruturação curricular.

Em 1965, a Universidade muda seu nome para Universidade Federal Fluminense. Quatro anos depois foi criado o Instituto de Matemática, sendo oferecida a formação em Licenciatura quanto em Bacharelado. Neste mesmo ano, no exato dia 30 de Outubro de 1969, tomaram posse o novo diretor Joaquim Cardoso Lemos e colegiados. O Instituto passava por uma reestruturação departamental e questões como o número de departamentos bem como a permanência da Mecânica no instituto estavam em voga.

Após longo debate, foi aprovada a estrutura departamental: Análise, Geometria, Mecânica e Matemática Aplicada. Entretanto, o Conselho de Ensino e Pesquisa não conferiu o Departamento de Mecânica ao Instituto de Matemática, ficando aquele no Instituto de Física. Assim, a estrutura inicial do Instituto era Departamento de Análise e Lógica, Departamento de Geometria e Departamento de Matemática Aplicada.
A década de 70: Um currículo baseado na Reforma Universitária de 1968

De alto impacto, dada a forte repressão política a que foi submetida, a Reforma Universitária (lei 5540/68) produziu um novo paradgma na educação superior. Nela, estabeleceu que o ensino superior fosse ministrado em universidades. Além disso, determinou a estrutura atual da universidade, com as seguintes características: introdução dos vestibulares unificados e classificatórios; instituiu o ciclo básico e o regime letivo semestral; a extinção das cátedras (o professor catedrático era o senhor absoluto da sua “cadeira”, como era denominado o conjunto de disciplinas sob a sua responsabilidade); foi instituído o regime de tempo integral e dedicação exclusiva dos docentes; criação dos departamentos; adoção do regime de créditos como mecanismo de integralização dos cursos; indissociabilidade entre ensino e pesquisa; cursos de graduação divididos em duas fases: ciclo básico e especialização profissional com a duração de quatro semestres letivos; e pós-graduação composta de dois cursos distintos: mestrado e doutorado. Esses elementos, até hoje, continuam estruturando o mundo acadêmico brasileiro.

Foi necessária uma nova reformulação dos cursos de Matemática, a qual foi implantada em 1971, mesmo ano da Lei de Diretrizes e Bases. Todavia, a Licenciatura continuaria seguindo praticamente o modelo de três anos de formação em conteúdos matemáticos e, mais um ano, em conteúdos educacionais.

Ainda em 1971, a Licenciatura de Matemática passou a preencher um total de 2700 horas/aula e as disciplinas de Lógica Matemática, Análise Matemática e Fundamentos de Matemática passaram a fazer parte da grade curricular, desde o primeiro semestre letivo do ciclo básico e uma disciplina de Cálculo Diferencial e Integral que passou a ser ministrada no quarto semestre por exigência do MEC. Até 88, a estrutura do curso pouco se alterou.

Durante a gestão do professor Jorge Barbosa como reitor da UFF, no período de 1971 a 1973, e conforme o Parecer Sucupira (do Conselho Federal de Educação editado em 1965) foi implantado os cursos de Mestrado em Matemática, em História e em Letras.

Em 26 de Março de 1974, tomaram posse o professor Rodolpho Guilherme Pedreira e Colegiado do Instituto de Matemática.

Foram criadas quatro linhas de estudo no Instituto de Matemática tanto para os alunos da Licenciatura como para os do Bacharelado: Lógica Matemática, Análise, Geometria e Matemática Aplicada. Essas linhas, ao mesmo tempo em que davam ao aluno que ingressava no ciclo profissional uma liberdade de escolha entre um grande número de disciplinas optativas, o obrigavam a optar por um conjunto de disciplinas pertencentes a um mesmo departamento. Além do que, ao escolher uma linha, o aluno ficava preso a uma hierarquia de pré-requisitos das disciplinas que praticamente o impedia de optar por uma mudança de linha. Entretanto, verificou-se que as linhas de estudos causavam uma especialização precoce na formação, a qual, muitas vezes, não se adequava às tendências e aspirações pessoais do aluno.

É ainda interessante se destacar que, nessa época, de um conjunto de quarenta disciplinas optativas alocadas nos departamentos do Instituto de Matemática e destinadas à Licenciatura, no entanto, somente três delas eram especificamente voltadas para a formação do professor.

O professor Rodolpho Guilherme Pedreira foi reeleito e um novo Colegiado formado, e tomaram posse em 15 de Dezembro de 1977.

Em 1978, foi criado um Curso de Especialização em Matemática voltado para a implantação da Matemática Moderna no ensino de 1º e 2º graus. As disciplinas que compunham a grade curricular deste curso eram: Análise Matemática, Lógica Matemática, Álgebra, Fundamentos da Matemática e uma disciplina pedagógica. Além de ser ministrado em Niterói, o curso também foi oferecido em outras localidades do Estado do Rio de Janeiro, como Campos e Valença, Nova Friburgo e Barra do Piraí.

Ao fim do mandato do professor Rodolpho Guilherme Pedreira, o Instituti de Matemática ficou sob a direção da professora Anna Maria Matoso Maia Forte e Colegiado em 11 de Janeiro de 1980.

Um fato interessante de registrar é que, desde o início da década de 70, a UFF vem mantendo um programa de auxílio às populações de algumas regiões do Estado do Pará (Óbidos e Oriximiná), através de diversos projetos que envolvem as áreas de saúde, educação e lazer. Atualmente, após alguns anos inativos, esse programa está sendo executado somente no Campus Avançado José Veríssimo, em Oriximiná. Fizeram parte deste programa os projetos Logus I e Logus II, voltados para a formação de professores leigos do ensino fundamental, os quais contaram com a colaboração de diversos setores da UFF. Dos projetos realizados nas décadas de 1970 e 1980 no campus avançado, participavam licenciandos do curso de Matemática, que já haviam concluído o ciclo básico do Curso de Matemática, aos quais cabia a tarefa de ministrar disciplinas básicas para a formação de professores que poderiam atuar até a sexta série do ensino fundamental.
A década de 80: Novos cursos e um currículo de graduação mais adequado à Licenciatura.

Em 1980, surgiu o projeto Melhoria do Ensino de 1º grau – Matemática, que tinha como meta melhorar a qualidade de ensino fundamental, através do treinamento de professores de Matemática em cursos de extensão de longa duração (60 horas/aula). Para isso, os professores continuavam a ter um acompanhamento mesmo após o fim do curso através de um Banco de Consultas na UFF.

Com recursos do SESU/MEC, a partir de 1982, esse projeto atendeu 29 municípios do Estado do Rio de Janeiro e um total de 1330 professores foram cadastrados no seu Banco de Consultas. Foi um período de intensa produção e uma considerável quantidade de material didático foi produzida.

Como conseqüência desse projeto, surgiu a idéia da criação de um pólo da UFF, não somente formador de professores de Matemática, mas também centralizador das ações do projeto e catalisador dos professores do interior do Estado do Rio de Janeiro interessados numa melhoria do ensino de Matemática. Os professores José Francisco Borges de Campos e Rosa Baldi propuseram aos órgãos competentes da UFF a interiorização de um curso de licenciatura plena em Matemática, que não somente preparasse profissionais para atuarem com o ensino da Matemática de 5ª à 8ª série e nas séries do ensino médio, como também fossem qualificados para atuarem nas séries iniciais do ensino fundamental, inclusive na alfabetização. Além disso, esse curso visava fornecer subsídios à fixação dos jovens naquela região do estado, através do acesso ao ensino superior público de qualidade, evitando assim que estes partissem de suas cidades para os grandes centros em busca de complementação para seus estudos.

A cidade escolhida foi Santo Antônio de Pádua, cuja comunidade forneceu as condições necessárias quanto à estrutura física e ao acolhimento do corpo docente fornecido pela UFF. Assim, em 1985, deu-se início às atividades do Curso de Licenciatura em Matemática-Interiorização da UFF, o qual, desde 1989, vem formando, em média, 20 professores semestralmente.

Durante algum tempo, o Curso de Especialização em Matemática foi provisoriamente desativado. Porém, em meados da década de 1980, as professoras do Departamento de Análise, Ceres de Moraes e Ilka de Castro, lideraram um processo de revitalização desse Curso. Assim, em 1988, o curso passou por uma reformulação – Geometria foi agregada ao seu conjunto de disciplinas – ampliando suas atividades para um total de 360 horas e o seu corpo docente, até então restrito ao Departamento de Análise, ampliado com professores do Departamento de Geometria.

Em 1989, foi iniciada a implantação de uma mudança curricular nos cursos de graduação em Matemática de Niterói. Como conseqüência dessa reformulação e apesar de o currículo continuar mantendo na sua estrutura um ciclo de disciplinas básicas, comuns ao Bacharelado e à Licenciatura, dele foi retirada boa parte da carga horária das disciplinas de Análise, Lógica e Fundamentos da Matemática, sendo substituída por Cálculo Diferencial e Integral (I, II e III) e Geometria Euclidiana.

Por sua vez, visando um equilíbrio entre uma liberdade de escolha frente a um grande conjunto de disciplinas optativas e uma formação matemática mais fundamentada, foram colocadas no ciclo profissional do licenciando, além das disciplinas da Faculdade de Educação, mais nove disciplinas obrigatórias. Destas, sete de conteúdos matemáticos e duas do âmbito da Educação Matemática: Tópicos de Matemática Elementar e Tópicos de Matemática e Realidade. A carga horária exigida para a formação do aluno licenciado ainda era muito alta – 2970 horas – e o conjunto de disciplinas optativas necessário para completá-la, muito extenso.

Em 1988, por iniciativa e sob a coordenação do professor José Roosevelt Dias, do Departamento de Geometria, foi criado o Curso de Aperfeiçoamento em Matemática, também voltado para professores de ensino fundamental e médio, o qual contou com o apoio do CNPq. Esse curso tinha duração de três semestres letivos, com carga horária total de 420 horas de atividades e distribuída nas seguintes disciplinas: Cáculo I e II; Álgebra linear; Álgebra; Fundamentos de Geometria; Conjuntos Numéricos e Tópicos de Educação Matemática. Todavia, apesar de também ter contado com o apoio da CAPES em 1989, esse curso foi desativado em 1991.

A década de 90: Reformulações e um novo currículo para a Licenciatura de Niterói

A partir de 1989, a professora Ana Maria Kaleff intensificou sua pesquisa sobre o ensino de geometria e sua atuação como orientadora de projetos de extensão. Desde então, buscando apoio junto ao CNPq, Fundação MUDES, SESU/MEC, FNDE e outros órgãos de fomento, teve 27 de seus projetos aprovados.

Em 1991, parte desses projetos passou a integrar o Programa Rede Regional Fluminense-Espaço UFF de Ciências, os quais, desde então, contam com o apoio do SPEC/PADCT/CAPES. Com os recursos advindos desse apoio, foram criados três núcleos de laboratórios de ensino de geometria (no Instituto de Matemática, no Espaço-UFF de Ciências e em Santo Antônio de Pádua). O núcleo instalado no Instituto de Matemática se transformou no Laboratório de Ensino de Geometria (LEG), integrado ao Departamento de Geometria, e teve seu regimento oficializado em dezembro de 1994.

O LEG tem como um dos seus objetivos o desenvolvimento de metodologias de ensino de Geometria e sua aplicação, prioritariamente no curso de graduação da UFF, visando a uma melhor formação dos alunos licenciandos e a formação de multiplicadores das ações pedagógicas nele desenvolvidas. Por outro lado, o LEG mantém atividades que visam à formação continuada do professor de Matemática, tanto no nível da extensão quanto no nível do Curso de Especialização.

Esses projetos de extensão da área de Geometria atenderam a 10 municípios do interior do Estado do Rio de Janeiro e ainda a mais 25 municípios em que foram oferecidas 45 atividades entre oficinas e cursos de curta duração. Além disso, a partir de 1991, com o apoio da equipe do Espaço-UFF de Ciências, de professores da Faculdade de Educação, da direção e de professores do Instituto de Matemática, foram realizados anualmente um Encontro de Educação Matemática e Ensino de Ciências. Do último desses eventos, realizado em setembro de 1996, participaram 290 profissionais de 19 municípios do interior do Brasil.

Também desde 1992, o professor Roberto Geraldo Tavares Arnaut, do Departamento de Geometria, tem oferecido anualmente e através de projetos de extensão junto ao LEG, cursos abordando tópicos de Geometria e Trigonometria para professores de ensino fundamental e médio e licenciandos. Esses cursos têm sido oferecidos nos municípios de Barra do Piraí e de Niterói.

Por outro lado, em vista do crescente interesse do colegiado do Curso de Matemática pela qualificação dos alunos licenciandos, tendo por base a reflexão crítica sobre a reformulação do papel do graduado em Matemática e da necessidade de sua valorização profissional, foram criadas em 1994, no período de coordenação do professor Jorge Bria, a Comissão Permanente para Assuntos de Bacharelado (CPAB) e a Comissão Permanente para Assuntos de Licenciatura (CPAL).

A professora Eliane Moreira da Costa, pertencente ao atual Departamento de Sociedade, Educação e Conhecimento da Faculdade de Educação, vem desenvolvendo, desde 1993, o projeto de pesquisa Ensino da Geometria através de dobraduras de papel. A motivação principal que levou essa também ex-aluna da UFF a realizar este projeto foram as dificuldades apresentadas por seus alunos nas disciplinas Didática Especial da Matemática e Prática de Ensino.

Ainda em 1992, o professor José Newton de Souza, juntamente com o professor Altair Assis, coordena o projeto de extensão Oficina do Saber, do Departamento de Matemática Aplicada, o qual tem por objetivo orientar e encaminhar crianças de rua do Centro de Niterói. Esse projeto conta com a colaboração de alunos de diversos cursos da UFF, inclusive de licenciandos de Matemática.

Em 1994, iniciaram-se discussões sobre uma reforma do Curso de Especialização em Matemática, com objetivo de reformular a estrutura do curso a fim de adaptá-lo à realidade educacional e poder atingir uma clientela mais específica de professores de Matemática. Em maio de 1995, sob a coordenação da professora Ana Maria Kaleff foi proposta uma reformulação radical do curso, conforme a regulamentação dos cursos de pós-graduação lato-sensu da UFF. Esta reformulação foi aprovada pelo Conselho Universitário (resolução 16/96), transformando-o em Curso de Especialização em Matemática para Professores de ensino de 1º e 2º graus (atualmente com a denominação de Ensino Fundamental e Médio).

Esse curso tem sido muito procurado por professores de Niterói e do interior do Estado do Rio de Janeiro, tendo em média 45 alunos matriculados anualmente e contou com o apoio financeiro do Programa de Apoio a Cursos de Pós-Graduação Lato Sensu da CAPES em 1996 e 1997, o que permitiu conceder dez bolsas de estudos aos alunos.

A reformulação na grade curricular não se limitou ao curso de especialização. Uma profunda reformulação curricular, tanto em relação à Licenciatura quanto ao Bacharelado, foi iniciada. O novo currículo, a partir de agosto de 1997, foi implantado a partir do know how do corpo docente e experiências com atividades administrativas.

Através dessa consulta ao docente, reduziu-se da carga horária total em comparação com o currículo anterior, a qual passou a ser de 2.415 horas de atividades, sendo que a Licenciatura e o Bacharelado têm em comum as seguintes disciplinas obrigatórias: Matemática Básica, Geometria Básica, Física Geral I e II, Cálculo I, II, III e IV, Geometria Analítica Plana, Geometria Analítica Espacial, Álgebra I e II, Introdução aos Métodos Numéricos, Programação de Computadores III, Análise I e II, Álgebra Linear I e II.

Vale ressaltar que pela primeira vez num currículo do Curso de Matemática, foram incluídas duas disciplinas, Matemática Básica e Geometria Básica cujo objetivo foi possibilitar que o aluno revisite conteúdos do ensino médio, de maneira mais profunda e fundamentada, visando um embasamento ao Cálculo e à Geometria Analítica. Dessa forma, se espera conseguir uma melhoria dos índices de aprovação e a diminuição da evasão nessas disciplinas.

Foram acrescentadas ao currículo da Licenciatura, além das disciplinas obrigatórias relativas à Faculdade de Educação, as disciplinas: Fundamentos de Geometria, Fundamentos de Geometria-Construções Geométricas, Teoria dos Números, História da Matemática, Educação Matemática-Análise e Àlgebra, Educação Matemática-Geometria.

Além disso, para completar a carga horária, são oferecidas ao licenciando vinte disciplinas optativas, das quais cinco têm por objetivo difundir tópicos de Educação Matemática e quatro apresentam uma ementa variável. Essas disciplinas, chamadas de Estudo Orientado I a V, têm por objetivo viabilizar a obtenção de créditos aos alunos interessados em estudos extracurriculares ou àqueles participantes de programas, projetos de pesquisa ou de extensão, Iniciação Científica (sem remuneração) e Monitoria.

Por outro lado, sendo a Licenciatura a habilitação mais procurada do Curso de Matemática e visando a integralização curricular pelo licenciando de modo mais ágil nas duas habilitações – Licenciatura e Bacharelado – foram incluídas, como disciplinas optativas da Licenciatura, as seguintes disciplinas obrigatórias da formação profissional do Bacharelado: Álgebra III, Topologia dos Espaços Métricos, Funções Complexas, Análise III e Geometria Diferencial I.

Sobre o Instituto de Matemática

O Instituto de Matemática da UFF (IM-UFF) foi criado com a Reforma Universitária (Lei 5540/68) englobando os Departamentos de Matemática existentes na Universidade.

Os Departamentos de Ensino do IM-UFF atendem, aproximadamente, a 4.000 alunos por semestre, oferecendo disciplinas, não só para os Cursos de Graduação, Pós-Graduação stricto-sensu e Especialização em Matemática, como também para outros 20 (vinte) Cursos da Universidade.

O corpo docente permanente do IM-UFF é atualmente constituído por 119 professores, sendo 79 doutores, 34 mestres (dos quais 1 doutorando) e 5 especialistas e 1 graduado, com os seguintes regimes de trabalho:

104 em Dedicação Exclusiva (DE);

9 em Dedicação de 40 horas semanais;

6 em Dedicação de 20 horas semanais.

Direção e Colegiado

O Instituto de Matemática (IM-UFF) é precedido por um Diretor e um Vice-Diretor eleitos por sua comunidade para exercer um mandato de 4 anos. Atualmente, o Prof. Mário Olivero Márques da Silva do Departamento de Matemática Aplicada é o Diretor em exercício e o Prof. Regina Célia Moreth Bragança do Departamento de Análise é a Vice-Diretora.

O órgão máximo de deliberação no Instituto de Matemática é o seu Colegiado, nele são norteadas as políticas administrativas, de ensino, pesquisa e extensão que acontecem no instituto.

O Colegiado do Instituto de Matemática é composto pelo seu Diretor em exercício, 10 membros eleitos, entre os docentes, para um mandato de dois anos e uma representação discente, correspondente a 1/5 da representação docente. No entanto, já vem sendo uma prática no IM-UFF, que qualquer chapa, que se forme, constituída por 10 membros do Corpo Docente.

Objetivo Geral do Instituto

O Instituto de Matemática tem por objetivo atuar nas atividades de ensino, pesquisa e extensão, bem como colaborar na administração da Universidade. As políticas adotadas pelo Instituto visam o crescimento da qualidade das atividades exercidas pelos Departamentos de Ensino e Coordenações, integrando-os de modo a otimizar as atividades de ensino, pesquisa e extensão. Nos últimos anos o IM-UFF vem fazendo um grande esforço no sentido de melhorar a titulação de seus professores, apoiar os grupos de pesquisa, consolidar a Pós-Graduação Stricto-Sensu e o Curso de Especialização, assim como melhorar e modernizar a Graduação em Matemática. Nesse contexto, laboratórios foram criados, a Biblioteca foi ampliada e diversos novos projetos vem sendo desenvolvidos.

O resultado desse esforço pode ser medido pelo crescimento significativo do número de doutores, que em 1993 era de cerca de 15 (quinze) e atualmente (em 2007) é de 79 doutores e 1 doutorando, além de alguns outros parâmetros, dentre os quais destacamos: a maior relação candidato-vaga para Cursos de Graduação em Matemática entre as Universidades do Estado do Rio de Janeiro (7.15), a obtenção do 6º conceito A consecutivo no Exame Nacional de Cursos nas 6 (seis) avaliações até o momento realizadas – na verdade o único Curso de Graduação da UFF com essa “performance” – e o conceito 4 (quatro) para o Mestrado. Em 2007 entrou em funcionamento o Curso de Graduação em Estatística e em 2008 entrará em funcionamento o programa de Doutorado em Matemática Pura, será implementado o Curso de Licenciatura em Matemática no turno noturno e o Curso de Licenciatura em Matemática no turno diurno junto com 5 modalidades de ênfase no Bacharelado em Matemática.

A Pós-Graduação Stricto-Sensu do IM-UFF, embora já funcionasse desde 1970, foi reformulada em 1991. O atual Programa de Mestrado em Matemática foi implementado com as Resoluções do Conselho de Ensino e Pesquisa nº 26/91 e nº 27/91 de 08/05/91 e foi credenciado pelo CFE em 1992, tendo recebido seu primeiro conceito 4 , pela CAPES, em 1995.

Autoria desse relato

Adaptado: “A Educação Matemática na Universidade Federal Fluminense: Um Relato do

Desenvolvimento Histórico dos Cursos de Formação de Professores de Matemática”,

Ana Maria Kaleff, Publicado em:Boletim do GEPEM, nº 38, 2001, p. 09-34

Livro de Atas da Coordenação do Instituto de Matemática e Estatística